O arquiteto nascido na Europa e fã da Amazônia desde 2005 que assina estande ‘vivo’ do Rock in Rio 2026 feito com 47 mil embalagens e 1,6 tonelada de resíduos: 'Inovação e sustentabilidade'
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 22:55
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A Natura transformou cerca de 47 mil embalagens recicladas em componentes arquitetônicos para seu estande no Rock in Rio 2026, evitando mais de 2 toneladas de emissões de gases de efeito estufa
O arquiteto nascido na Europa e fã da Amazônia desde 2005 que assina estande ‘vivo’ do Rock in Rio 2026 feito com 47 mil embalagens e 1,6 tonelada de resíduos: 'Inovação e sustentabilidade' O estande da Natura no Rock in Rio 2026 foi inspirado na floresta Amazônica e transformou cerca de 47 mil embalagens recicladas em elementos de sua arquitetura Natura leva a inspiração da Amazônia para o Rock in Rio 2026 com um estande criado pelo arquiteto Marko Brajovic e construído com materiais reciclados A arquitetura do estande da Natura chama atenção no Rock in Rio 2026 com formas inspiradas na natureza, paisagismo exuberante e elementos produzidos a partir de embalagens recicladas Assinado por Marko Brajovic, o estande da Natura no Rock in Rio 2026 transforma referências da floresta Amazônica em uma experiência arquitetônica imersiva e sustentável

Quem passar pelo estande da Natura no Rock in Rio 2026 pode ter a impressão de estar diante de uma estrutura cenográfica diferente das demais, viu? As formas lembram folhas, o espaço se movimenta e a arquitetura foi pensada para responder aos estímulos do ambiente. Por trás dessa proposta está o arquiteto e designer Marko Brajovic, nome que transformou a natureza em uma espécie de matéria-prima para seu trabalho.

Esta é a terceira edição consecutiva em que Brajovic assina a arquitetura da presença da Natura no festival. A parceria começou em 2022, com o Portal Natura, avançou em 2024 com o Portal Natura Pulsa e chegou, em 2026, a uma proposta ainda mais ambiciosa: uma arquitetura responsiva, inspirada na floresta Amazônica e construída com materiais reciclados da própria marca.

A montagem utilizou cerca de 47 mil embalagens recicladas da Natura, correspondentes a mais de 1,6 tonelada de resíduos reaproveitados. Segundo a empresa, a reutilização desses materiais evitou a emissão de mais de 2 toneladas de gases de efeito estufa. Mas a história por trás do espaço começa bem longe da Cidade do Rock!

Quem é Marko Brajovic? Paixão pela Amazônia guiou projeto na Natura

Marko Brajovic nasceu em 1973, em Podgorica, no atual Montenegro, então parte da antiga Iugoslávia, e cresceu em Rovinj, na Croácia. Formado em arquitetura pela Universidade de Arquitetura de Veneza, ele também tem formação em artes digitais e construiu sua carreira aproximando arquitetura, design, tecnologia e natureza.

O Atelier Marko Brajovic, fundado por ele em São Paulo em 2006, trabalha com arquitetura, design, direção criativa, cenografia e experiências imersivas. A biomimética - abordagem que busca inspiração em estruturas, comportamentos e estratégias encontrados na natureza - está no centro dessa produção.

E, para o arquiteto, a Amazônia ocupa um lugar especial nesse processo. “Praticamente todos os projetos que faço para a Natura começam na Amazônia. Os primeiros esboços, os primeiros desenhos, quase sempre surgem lá. Foi exatamente o que aconteceu desta vez”, contou Marko no material preparado sobre a ativação.

Segundo ele, depois de receber o briefing desta edição, viajou para a Amazônia acompanhado de um grupo de pesquisadores internacionais. Foi nesse contexto que começou a desenvolver as ideias que posteriormente seriam levadas para o festival. “Quando chego na Amazônia, tudo faz sentido. É um lugar que me ajuda a organizar as ideias”, explicou.

Foi durante essa experiência que surgiu uma das imagens centrais do projeto: folhas formando uma espécie de “pele viva” para o espaço.

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Estande da Natura foi pensado para ‘reagir’ ao público

A estrutura foi desenvolvida para responder aos estímulos do ambiente. Elementos inspirados em folhas amazônicas foram pesquisados e prototipados para se movimentarem de maneira sutil conforme a ação do vento, a circulação das pessoas e até as vibrações do som. “A natureza nunca está parada. Ela reage, vibra, se transforma. Queríamos trazer essa lógica para a ativação”, afirmou o arquiteto.

O conceito ajuda a explicar por que a Natura descreve o espaço como uma espécie de laboratório de inovação e economia circular. Em vez de simplesmente utilizar materiais reciclados como acabamento, a proposta foi transformar resíduos em parte da própria arquitetura.

“Não se trata apenas de reutilizar materiais. Existe todo um processo de pesquisa para entender como esses resíduos podem ganhar uma nova vida. É uma forma de mostrar que inovação e sustentabilidade podem caminhar juntas”, disse Marko.

Em material divulgado pelo próprio Atelier, o desenvolvimento das peças envolveu diferentes modelos e testes. Mais de 3 mil folhas foram produzidas para compor as superfícies do pavilhão, com variações na quantidade de embalagens laranja utilizada na composição, criando diferentes níveis de tonalidade e transparência.

Folhas de cacau e cupuaçu ajudam a refrescar o espaço

A aparência orgânica também tem uma função prática. A cobertura foi inspirada no formato e na disposição das folhas de cacau e cupuaçu, espécies ligadas à sociobiodiversidade amazônica. O desenho permite que o vento atravesse a estrutura, favorecendo a ventilação natural e o conforto térmico do público sem depender de sistemas de refrigeração de alto consumo energético.

É um exemplo de arquitetura bioclimática - conceito que utiliza as características naturais do ambiente, como ventilação e incidência solar, para melhorar as condições de um espaço. “A arquitetura bioclimática faz com que o espaço ‘respire’”, explicou Brajovic.

A solução também conversa com outra característica do projeto: a estrutura é 100% modular. A ideia é que suas peças possam ser desmontadas, adaptadas e utilizadas novamente em outros contextos, em vez de simplesmente serem descartadas depois do festival. Por isso, a preocupação ambiental não termina quando o Rock in Rio acaba.

Parceria começou em 2022

O projeto de 2026 é, na verdade, o terceiro capítulo de uma parceria iniciada quatro anos atrás. Em 2022, Marko criou o Portal Natura, instalação inspirada na floresta Amazônica. Dois anos depois, em 2024, veio o Portal Natura Pulsa, que explorava a relação entre música, vibração e natureza.

Agora, a ideia é fazer com que a própria arquitetura responda ao ambiente. “Existe uma continuidade conceitual entre os projetos, mas nunca uma repetição. O que buscamos é evoluir a conversa”, afirmou.

A evolução fica evidente na própria linguagem usada para descrever as três experiências: primeiro, um portal inspirado na floresta; depois, um espaço que incorporava a ideia de pulsação; agora, uma estrutura capaz de interagir com vento, som, luz e movimento. “Este ano, a ideia era criar algo ainda mais conectado aos ciclos da natureza, algo que pudesse respirar, pulsar e interagir com as pessoas”, completou.

Natureza também virou método de trabalho

O escritório já realizou trabalhos em cidades como Milão, Miami, Hong Kong, Dubai, Xangai, Barcelona, Santiago, Cidade do México, Veneza, Munique, Melbourne, Rio de Janeiro e São Paulo. Entre os clientes citados pelo Atelier estão nomes como Nike, Google, Hermès, ONU, Visa, Samsung e LATAM, além da própria Natura.

A prática do estúdio combina biomimética, comportamento humano e fenômenos naturais para criar espaços que tentam aproximar pessoas e ambiente.

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